terça-feira, 12 de março de 2019

Seja bem-vindos ao História no Cero!

Seja bem-vindos ao História no Cero! Este blog tem o intuito de ser uma ferramenta de auxílio pedagógico e de acompanhamento diário das atividades da sala de aula.

Refletindo sobre a História - O que é História e para que serve?

História não é a ciência que estuda o passado, pois segundo Bloch “passado não é objeto da ciência” e também não pode ser definida como a “ciência do homem”. Então o que é História? Ainda, de acordo com Marc Bloch, “a História seria, talvez, a ciência dos homens no tempo”.
E para que serve a História? Segundo Lucien Febvre, “a História é filha de seu tempo”. Cada época elenca novos temas que, no fundo, falam mais de suas próprias inquietações e convicções do que de tempos memoráveis, cuja lógica pode ser descoberta de uma vez só. Em outras palavras, Fernand Braudel expressou que “História é passado e presente, um e outro inseparáveis”.
Transitar entre o presente e o passado, uma das preocupações de quem produz o conhecimento histórico, possibilita a construção de respostas para as questões e as inquietações colocadas pelos homens do tempo presente, como bem observou o historiador Caio César Boschi: “É o presente que faz aflorar questões objetivas e concretas que nos desafiam - e, com essas questões em mente, é que buscamos respostas no passado. A História serve para que o homem conheça a si mesmo - assim como suas afinidades e diferenças em relação aos outros. Saber quem somos permite definir para onde vamos.”

(BOSCHI, Caio César. Por que estudar História? São Paulo: Ática, 2007, página 12).


Que relação podemos fazer entre a crítica apresentada pelos sambas enredo da Escola de Samba Mangueira em 2019 e pela Escola de Samba Paraíso do Tauiti em 2018 e o ensino de História?



Samba-Enredo 2019 - Histórias Para Ninar Gente Grande


Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões
Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra
Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato
Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês




Samba da Paraíso do Tuiuti amplia debate sobre conceito de escravidão

Na África, no Brasil, no Egito Antigo, na Mesopotâmia, na China, na Índia. Presente na História da humanidade e ainda nos dias de hoje, a escravidão continua sendo um tema sensível mesmo após ser oficialmente abolida. Um dos maiores problemas atualmente reside justamente no entendimento a respeito dos limites da exploração do homem pelo homem, que pode ser flexível e, muitas vezes, classificar como empregado o indivíduo que, sem condições de barganha, trabalha em condições insalubres, com jornadas excessivamente longas e que tem como pagamento abrigo e alimentação. É pautada nesses questionamentos e numa abordagem histórica sobre a escravidão, indo além da mão de obra negra vinda da África para o Brasil, que a Paraíso do Tuiuti espera sacudir a avenida e tocar em uma ferida ainda aberta no país.

https://oglobo.globo.com/rio/bairros/samba-da-paraiso-do-tuiuti-amplia-debate-sobre-conceito-de-escravidao-22353645#ixzz5FbSeIm7T (Em 05/02/2018)

Samba Enredo Paraíso do Tuiuti 2018 - Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti, o quilombo da favela
É sentinela na libertação
Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz
Eu fui mandiga, cambinda, haussá
Fui um Rei Egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente
Ê, Calunga, ê! Ê, Calunga!
Preto Velho me contou, Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor
Ê, Calunga
Preto Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro nem feitor
Amparo do Rosário ao negro Benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor
E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra a bondade cruel
Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social
Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar, não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social





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